27 outubro, 2008

[:] INTERNET E LÍNGUA PORTUGUESA


Por Karina Guedes
O mundo virtual já é uma realidade. A revolução cibernética já está eclodindo e não podemos mais lutar contra ela. Se há dez anos a ideia de viver uma vida dentro de um micro computador era considerado por demais ousado, hoje não passa de uma afirmação óbvia. 
E assim são vários os motivos que nos levam a converter nossos hábitos aos hábitos cibernéticos: praticidade, economia de tempo, conforto, a possibilidade de ampliar a rede de relacionamentos através de redes sociais, e até mesmo a diminuição de custos na comunicação a longa distância, por exemplo, é mais barato conversar com um amigo que mora em Minas Gerais, através o MSN do que fazer uma ligação de interurbano. Sem contar que através desse tio de ferramenta é possível conversar com mais de uma amigo ao mesmo tempo, pagando pelo mesmo custo do tempo de conexão.

Apesar das aparentes vantagens, seria interessante pensar talvez essa conversão em algumas situações pode não ser cem por cento benéfica assim. Vejamos os casos das pessoas que trocam suas vidas reais por vidas virtuais. Aparentemente uma descontração, a troca da vivência da vida real pela virtual em sites como Orkut e Second Live nos dão um alerta de algo não está muito bem no mundo real.
Um dos riscos apontados por alguns especialistas no assunto, é quanto ao fato de que ao projetarmos uma auto-imagem de nós mesmos o fazemos de forma tão irreal quanto à própria WEB.  Tentamos ser perfeitos e vivenciar vidas perfeitas. Podendo ser inteligentes, fortes, competitivos e atraentes, vivendo em um universo que pode não haver frustrações, fronteiras, obstáculos, medo e decepção. Podendo comprometer não apenas nosso desenvolvimento emocional como também a nossa formação de caráter. 

Claro que essa reflexão não nos impede de experimentar, observar, estudar e interagir, afinal interação tende a ser a palavra chave dos próximos anos. Mas, e a comunicação como fica?

Bem, quanto a comunicação podemos dizer que recentes estudos realizados em relação língua na rede apontam para fenômenos por demais interessantes. Um deles é a possível extinção da dicotomia língua x fala. As novas tecnologias permitem meios de construção de textos tão heterogêneos que nos fazem pensar e repensar nessa escrita e fala. Segundo Denise Bértoli Braga, autora de um estudo sobre este assunto, onde visualiza a necessidade de uma análise na interação da oralidade na internet enfocando dois tipos de gêneros distintos: o diálogo nas salas de bate papo e o texto eletrônico ou hipertexto. Dentro deste parâmetro Denise observa que o contexto cibernético não só permite que a escrita ocupe espaços antes reservados para as interações orais, como também viabiliza a existência de um novo tipo de texto, o hipertexto, que é híbrido na constituição dos fatos lingüísticos, ou seja, incorpora textos escritos e orais e diferentes recursos audiovisuais: fotografia, som, e vídeo. 
  
No campo das mensagens instantâneas, observamos que a linguagem escrita se caracteriza por palavras abreviadas e pela rapidez que se exige dessa forma de comunicação. Esse texto incorpora outros recursos quando o emissor quer enfatizar uma palavra ou expressão, usa letras em destaque, repete várias vezes à última letra da palavra e também os pontos de interrogação e exclamação. Os usuários dessa linguagem são em sua maioria pré-adolescentes e adolescentes, motivo esse que tem preocupado muitos pais e professores. Essa preocupação nos remete a outro estudo que aponta para a dificuldade que estes jovens têm encontrado em discernir os textos virtuais dos textos exigidos em sala de aula, devido a essa constante variação morfolexical. 

Segundo especialistas, toda essa na comunicação da rede deve ser estudada e analisada  principalmente as estruturas das conversas das salas de bate- papo por ser tratar de um  fenômeno onde talvez pela primeira vez a língua junta-se a fala em uma representação gráfica dominada por esses jovens esses que serão os adultos de amanhã e daí preocupação de pais e educadores.
Apesar da liberdade proposta pela linguagem virtual, podemos dizer que nem tudo está liberado.  Para o lado profissional da rede, já existem especialistas em língua escrevendo manuais para orientar essa comunicação e ensinar os mais desligados uma maneira ética e prática de se usá-la. Podemos citar como exemplo o e-mail, ferramenta tão comum nas empresas hoje em dia.  Apesar de aparentemente informal o e-mail pode tomar ares de documento quando se torna a única forma de comunicação dentro da empresa. Sendo assim é preciso tomar cuidado com o que se escreve e como se escreve. 

Enfim, toda essa facilidade, praticidade proporcionada pelo mundo virtual pode ter lá suas vantagens sim não duvidemos disso. Porém, devemos não nos esquecer do mais importante, apesar da WEB ter se tornado uma ferramenta fundamental em nossas vidas, ela ainda não deve substitui as relações humanas. O aperto de mão, beijo e abraço ainda estão em alta no mercado.


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